Brent chegou a US$ 109,62 antes de cair para perto de US$ 104; tensões no Oriente Médio mantêm pressão sobre oferta, diesel e inflação mundial.
O mercado internacional de petróleo vive mais um dia de forte volatilidade nesta sexta-feira, 11 de setembro de 2026. O barril do Brent chegou a US$ 109,62 durante a sessão, mas posteriormente recuou para US$ 104,18, enquanto o petróleo norte-americano WTI caiu para US$ 99,52. Apesar da queda intradiária, os dois contratos caminhavam para encerrar a semana com valorização superior a 8%. (Reuters)
O movimento acontece em meio às preocupações com o fornecimento global provocadas pela escalada das tensões no Oriente Médio. Problemas envolvendo importantes rotas de transporte e instalações de energia aumentaram o prêmio de risco incorporado às cotações. Notícias sobre possíveis iniciativas diplomáticas para aliviar restrições ao transporte marítimo ajudaram a derrubar os preços nesta sexta, mas não eliminaram a preocupação dos investidores. (Reuters)
A alta internacional também interessa diretamente ao consumidor brasileiro. O Brasil possui produção relevante de petróleo, mas os preços internacionais continuam influenciando custos de importação, derivados e decisões comerciais das empresas. Em resposta à recente volatilidade, o governo federal anunciou em 9 de setembro medidas para gasolina, etanol e diesel destinadas a reduzir a transmissão das oscilações externas para o mercado doméstico. (Serviços e Informações do Brasil)
Por que o petróleo chegou a superar US$ 109 por barril?
O principal elemento por trás da disparada é o aumento do risco de interrupção da oferta no Oriente Médio. O mercado acompanha especialmente as condições de navegação em rotas estratégicas, entre elas o Estreito de Ormuz, passagem fundamental para o comércio mundial de petróleo e derivados. Quando aumenta o risco de interrupções nesses corredores, compradores e operadores tendem a incorporar rapidamente essa incerteza aos preços. (Reuters)
A situação tornou-se ainda mais sensível porque as preocupações não estão limitadas ao transporte marítimo. A Reuters informou que a produção de petróleo da Arábia Saudita caiu para aproximadamente 6 milhões de barris por dia em agosto, menor nível em cerca de três décadas, em um contexto de ataques contra infraestrutura energética. Ataques ucranianos contra refinarias russas acrescentaram outra fonte de pressão sobre o mercado de derivados. (Reuters)
Nesta sexta-feira, porém, o mercado passou por uma correção. Informações sobre possíveis esforços diplomáticos para facilitar o transporte pelas rotas do Oriente Médio reduziram momentaneamente o temor de uma interrupção ainda maior. Isso ajuda a explicar por que o Brent conseguiu alcançar US$ 109,62 e depois recuar para pouco mais de US$ 104 no mesmo dia. (Reuters)
A queda diária, portanto, não significa que a crise tenha sido superada. O Brent e o WTI ainda caminhavam para acumular ganhos semanais superiores a 8%, mostrando que o petróleo permanece muito acima dos níveis observados antes da intensificação das preocupações com a oferta. (Reuters)
O petróleo acima de US$ 100 pode aumentar gasolina e diesel no Brasil?
Uma alta do petróleo internacional aumenta a pressão sobre a cadeia de combustíveis, mas não significa que gasolina e diesel subirão automaticamente na mesma proporção nos postos brasileiros. O preço pago pelo motorista é formado por diferentes componentes, incluindo valor do combustível produzido ou importado, tributos, biocombustíveis adicionados à mistura e margens de distribuição e revenda. (Serviços e Informações do Brasil)
Os dados mais recentes disponíveis da ANP, referentes à semana de 30 de agosto a 5 de setembro, mostravam a gasolina comum em média nacional de aproximadamente R$ 6,51 por litro. Na composição apresentada pela Petrobras com base nesses dados, sua parcela correspondia a R$ 1,78, enquanto distribuição e revenda, etanol anidro e impostos representavam as demais partes do preço final. (Preços dos Combustíveis)
O diesel merece atenção especial porque o mercado internacional de derivados também está sob pressão. Nos Estados Unidos, o preço do diesel atingiu níveis recordes nesta semana, segundo a Reuters, refletindo dificuldades na oferta de petróleo e de produtos refinados. (Reuters)
No Brasil, o governo decidiu intervir para amortecer parte desse choque. Em 9 de setembro, foram anunciadas redução de PIS/Pasep e Cofins sobre gasolina e etanol hidratado e autorização para uma subvenção econômica ao diesel rodoviário. A medida ocorre explicitamente em resposta à volatilidade internacional do petróleo e às restrições de oferta associadas ao cenário geopolítico. (Serviços e Informações do Brasil)
O que pode acontecer com petróleo e combustíveis nos próximos dias?
A evolução dos preços dependerá principalmente do Oriente Médio. Caso haja redução das tensões e normalização das rotas marítimas, parte do prêmio de risco incorporado ao barril pode desaparecer. Se ocorrer o contrário — novos ataques, problemas em instalações petrolíferas ou interrupções no transporte —, as cotações podem voltar a sofrer forte pressão. (Reuters)
A Agência Internacional de Energia (IEA) aumentou o grau de preocupação nesta sexta-feira. Segundo informações divulgadas pela Reuters, a entidade projeta que a oferta global de petróleo em 2026 poderá sofrer redução de 5,7 milhões de barris por dia, aproximadamente 6%, diante das interrupções provocadas pelos conflitos no Oriente Médio e das dificuldades para normalizar os fluxos do Golfo. (Reuters)
Outra consequência importante está na inflação. Petróleo mais caro pode elevar custos de transporte, logística, aviação, indústria e produção agrícola. Por isso, a disparada da energia passou a ser acompanhada também pelos bancos centrais. A persistência de preços elevados pode dificultar o controle inflacionário e influenciar decisões sobre juros em diferentes economias. (Reuters)
Para o consumidor brasileiro, o indicador mais importante nas próximas semanas será o comportamento efetivo dos preços nos postos. A ANP realiza levantamento semanal de gasolina, etanol, diesel, GNV e GLP em todo o país, permitindo verificar se as alterações internacionais e as medidas adotadas pelo governo estão chegando às bombas. (Serviços e Informações do Brasil)
A sexta-feira termina, portanto, com um cenário aparentemente contraditório: o petróleo caiu no dia, mas continua acumulando forte valorização na semana. A passagem do Brent pela marca de US$ 109 demonstra a dimensão da preocupação do mercado com a oferta. Enquanto persistirem riscos nas principais regiões produtoras e rotas de transporte, gasolina, diesel, inflação e custos logísticos continuarão no centro das atenções.
Fontes: Reuters — petróleo recua, mas caminha para alta semanal superior a 8% · Ministério da Fazenda — medidas para combustíveis diante da oscilação do petróleo · ANP — levantamento semanal dos preços dos combustíveis · Petrobras — composição do preço da gasolina.