A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) registrou, em 21 de outubro de 2026, o primeiro projeto de uma usina hidrelétrica reversível em ciclo fechado no Brasil. A instalação está prevista para o município de Timbé do Sul, em Santa Catarina, e terá potência estimada de 5,2 megawatts (MW).
O registro representa a entrada formal desse tipo de empreendimento no ambiente regulatório brasileiro, mas não significa que a usina já esteja em operação ou que a construção tenha um cronograma definitivo. O projeto ainda está em fase inicial, conforme a informação divulgada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
A tecnologia se diferencia das hidrelétricas convencionais porque combina geração e armazenamento de eletricidade. Em vez de depender apenas do fluxo natural de um rio, a usina reversível utiliza dois reservatórios conectados. A água pode ser deslocada entre eles de acordo com as necessidades do sistema elétrico.
Como funciona uma hidrelétrica reversível
Nos períodos em que há maior oferta de energia ou menor demanda, a água é bombeada do reservatório inferior para o superior. Esse processo consome eletricidade, mas permite guardar energia na forma de água armazenada em uma cota mais elevada.
Quando o sistema precisa de geração, a água retorna ao reservatório inferior por meio de condutos. Durante o deslocamento, movimenta turbinas e produz eletricidade. O mesmo volume de água pode ser utilizado novamente em novos ciclos, característica que dá origem ao conceito de usina reversível em ciclo fechado.
Esse modelo é considerado uma alternativa de armazenamento de longa duração. A capacidade de guardar energia e devolvê-la posteriormente pode ajudar a administrar diferenças entre os momentos de produção e de consumo, especialmente quando a oferta disponível não coincide com a demanda.
Relação com fontes solar e eólica
A hidrelétrica reversível pode complementar fontes cuja geração varia conforme as condições climáticas. A produção solar, por exemplo, tende a se concentrar durante o dia, enquanto a geração eólica depende da intensidade dos ventos. O armazenamento permite deslocar parte da energia disponível para períodos em que ela seja mais necessária.
Na prática, o sistema pode absorver excedentes em momentos de baixa demanda e devolver eletricidade quando o consumo aumenta. Essa função amplia a flexibilidade operacional do setor elétrico e pode reduzir o desperdício de energia que não encontre utilização imediata.
O projeto de Timbé do Sul surge, portanto, em um contexto de busca por ferramentas capazes de integrar diferentes fontes à matriz elétrica brasileira. A iniciativa não substitui as usinas eólicas, solares ou hidrelétricas convencionais, mas pode atuar como uma estrutura de apoio à operação do sistema.
O que o registro da ANEEL representa
Segundo a ANEEL, o empreendimento também marca a aplicação da nova regulamentação brasileira para sistemas de armazenamento de energia. O registro cria uma referência para a análise de projetos que utilizem tecnologias destinadas a guardar eletricidade e disponibilizá-la em outro momento.
Como a iniciativa ainda está no começo, permanecem em aberto etapas relacionadas ao desenvolvimento do empreendimento, à avaliação de sua implantação e à definição de eventuais prazos. A divulgação oficial não informa uma data de entrada em operação nem confirma o início das obras.
O caso também poderá contribuir para o debate sobre o tratamento regulatório e operacional das usinas reversíveis no país. Entre os pontos de interesse estão a forma de integração dessas instalações ao sistema elétrico, o aproveitamento de excedentes de geração e os critérios aplicáveis a futuros projetos.
Projeto previsto para Timbé do Sul
Localizado em Santa Catarina, Timbé do Sul foi escolhido para receber o primeiro projeto registrado nessa modalidade no Brasil. A potência prevista é de 5,2 MW, escala que identifica a capacidade estimada de geração da usina, mas não permite concluir, isoladamente, sobre seu impacto futuro no abastecimento nacional.
O principal efeito do empreendimento, caso avance, estará associado à sua função de armazenamento e não apenas à geração de energia. A usina poderá oferecer uma maneira de manejar excedentes e atender momentos de maior necessidade, desde que as próximas fases confirmem a viabilidade técnica, regulatória e econômica da proposta.
Por enquanto, o registro da ANEEL deve ser entendido como um passo inicial para a introdução das hidrelétricas reversíveis no Brasil. A evolução do projeto em Santa Catarina poderá indicar como essa tecnologia será incorporada ao planejamento e à operação do setor elétrico nos próximos anos.