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Como as competências digitais em segurança estão redefinindo o mercado de trabalho?

Alma Sundelin
Alma Sundelin
July 27, 2026
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Ernesto Kenji Igarashi
Ernesto Kenji Igarashi
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Ernesto Kenji Igarashi, especialista em segurança institucional e proteção de autoridades, esclarece que a tecnologia não pediu licença para mudar a segurança. Entrou aos poucos: uma câmera com análise de imagem, um controle de acesso integrado, uma central que cruza informação em tempo real. De repente, o profissional que dominava a ronda e o rádio percebeu que boa parte do trabalho tinha migrado para uma tela.

Contents
Ler o dado, não só assistir à imagemEntender como os sistemas conversam entre siTratar cibersegurança como parte da segurança físicaPor que o profissional de segurança física precisa entender de cibersegurança? Operar a automação sem terceirizar o julgamentoRegistrar e comunicar no idioma digitalComo saber a hora de não confiar na tela?O digital exige um instinto mais afiado

O setor vive uma transição silenciosa: as ferramentas mudaram mais rápido do que a formação da maioria, e quem não acompanhou não recebeu um aviso formal, apenas parou de ser chamado para as funções mais estratégicas.

Não se trata de virar programador. Trata-se de entender o que a tecnologia faz, onde ela falha e como decidir quando a tela e a realidade discordam. A seguir, as habilidades que separam quem opera o novo cenário de quem apenas convive com ele.

Ler o dado, não só assistir à imagem

Ter acesso a mil câmeras não serve de nada se ninguém sabe o que procurar. A primeira competência digital é interpretar informação, não só observá-la. Ernesto Kenji Igarashi reflete que um painel de controle moderno despeja alertas, fluxos, registros de acesso e padrões de movimentação. O profissional preparado enxerga ali uma anomalia, um horário estranho, uma sequência que não fecha. O despreparado vê apenas uma parede de monitores piscando.

A diferença é a mesma que existe entre olhar um exame de sangue e entendê-lo. O dado bruto está disponível para todos. A leitura, não. Quem desenvolve o hábito de perguntar “o que este número está tentando me dizer” transforma vigilância passiva em inteligência aplicada, capaz de antecipar em vez de apenas reagir depois que o incidente já aconteceu. Essa leitura não vem do equipamento: vem de um repertório treinado que sabe distinguir o ruído normal do sinal que importa.

Entender como os sistemas conversam entre si

Segurança deixou de ser uma soma de equipamentos isolados. Câmera, catraca, alarme, controle de acesso e central de monitoramento hoje formam um conjunto integrado, e a falha costuma nascer justamente nas conexões, não nas peças. Tal como Ernesto Kenji Igarashi aponta, muitos incidentes não acontecem porque um sistema quebrou, mas porque dois sistemas que deveriam trocar informação não o faziam, e ninguém havia percebido a lacuna.

O profissional atualizado não precisa saber configurar cada equipamento. Precisa entender o desenho: por onde a informação passa, onde ela pode se perder e o que acontece quando um elo cai. Essa visão de conjunto é o que permite diagnosticar rápido, em vez de trocar peças no escuro, esperando que uma delas resolva.

Tratar cibersegurança como parte da segurança física

Uma fechadura eletrônica é tão segura quanto a senha que a controla. Um sistema de câmeras conectado à rede é uma porta a mais para quem sabe entrar por ela. Ernesto Kenji Igarashi avalia que a separação entre segurança física e digital virou ficção: quem invade o sistema abre o portão sem tocar no cadeado. Ignorar isso é proteger a entrada da frente enquanto se deixa a dos fundos escancarada.

Por que o profissional de segurança física precisa entender de cibersegurança? 

Porque os equipamentos que ele opera hoje são conectados em rede: uma vulnerabilidade digital pode desativar câmeras, liberar acessos ou vazar informação sensível sem que ninguém precise estar fisicamente no local. A competência aqui não é a de um especialista em rede, é a de um usuário consciente. Reconhecer que um pen drive desconhecido é risco, que senha compartilhada é brecha, que atualização adiada é convite. O elo mais fraco de quase todo sistema continua sendo humano, e essa fragilidade se corrige com consciência, não só com ferramenta.

Ernesto Kenji Igarashi
Ernesto Kenji Igarashi

Operar a automação sem terceirizar o julgamento

Sistemas inteligentes já apontam comportamentos suspeitos, reconhecem padrões e disparam alertas sozinhos. Isso é útil e perigoso na mesma medida. Útil porque amplia o alcance de uma equipe pequena. Perigoso porque cria a tentação de confiar cegamente na máquina e desligar o próprio senso crítico.

A quarta competência é saber usar a automação como assistente, nunca como substituto do julgamento. A máquina erra: gera alarme falso, ignora o inédito, aprende a partir de dados que podem estar enviesados. O profissional maduro trata cada alerta automático como uma hipótese a verificar, não como uma sentença. Ele confia na ferramenta o suficiente para agir e desconfia o bastante para conferir.

Registrar e comunicar no idioma digital

Boa parte do valor de uma operação de segurança está no registro, informa Ernesto Kenji Igarashi. Assim, uma resposta impecável, porém mal documentada, perde metade da sua utilidade: sem registro claro, não há aprendizado, não há prova e não há como melhorar o próximo ciclo. Relatar bem em plataformas digitais deixou de ser burocracia e virou parte do trabalho técnico.

Isso inclui descrever um incidente com precisão, organizar evidências, comunicar por canais rastreáveis e manter histórico acessível para quem vier depois. A comunicação digital bem feita é o que transforma um evento isolado em conhecimento acumulado da equipe, em vez de deixá-lo morrer na memória de quem estava de plantão.

Como saber a hora de não confiar na tela?

Talvez a habilidade mais avançada seja também a mais antiga: o ceticismo. Toda tecnologia pode falhar, ser fraudada ou mostrar uma versão incompleta da realidade. Uma câmera pode estar num ângulo cego. Um sistema pode ter sido manipulado. Um dado pode estar atrasado. O profissional preparado sabe que a tela é uma representação do mundo, não o mundo.

Por isso, a sexta competência é o julgamento sobre a própria ferramenta: saber quando levantar da cadeira e verificar no local, quando duvidar de um alerta que parece perfeito demais, quando a ausência de aviso é, em si, o aviso. Ernesto Kenji Igarashi considera que o profissional mais preparado para o digital é, paradoxalmente, o que preserva a desconfiança saudável de quem aprendeu o ofício antes das telas. A tecnologia estende os sentidos do profissional. Não os substitui.

O digital exige um instinto mais afiado

Existe um medo silencioso de que a tecnologia torne o profissional de segurança descartável. É o contrário. Quanto mais o sistema decide sozinho, mais valioso fica quem sabe julgar quando o sistema está errado.  As ferramentas cuidam do volume e da repetição; o ser humano cuida da exceção, do inédito, da decisão que nenhum algoritmo foi treinado para prever. Dominar o digital não é abrir mão do instinto. É construir um instinto que já incorpora a máquina, sem se render a ela.

Tag:Ernesto IgarashiErnesto Kenji IgarashiErnesto Kenji Igarashi Especialista de segurança institucionalO que aconteceu com Ernesto Kenji IgarashiPolícia FederalPrograma aeroportoQuem é Ernesto Kenji IgarashiTudo sobre Ernesto Kenji Igarashi
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