Marcas de diferentes segmentos passaram a adotar elementos visuais semelhantes para transmitir modernidade, simplicidade e facilidade de reconhecimento. Dalmi Defanti, fundador da Gráfica Print, acompanha essa transformação no setor gráfico e chama atenção para uma questão que ganhou força com a digitalização do design: quando muitas empresas seguem as mesmas referências, até que ponto uma identidade visual continua conseguindo diferenciar uma marca das demais?
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Por que tantas marcas estão adotando estilos semelhantes?
A busca por identidades visuais simples tem uma explicação prática. Marcas precisam funcionar em telas pequenas, redes sociais, aplicativos, sites, embalagens e materiais impressos. Logotipos menos complexos, tipografias de fácil leitura e elementos que podem ser adaptados para diferentes formatos facilitam essa aplicação e reduzem problemas de reprodução. Inclusive, uma estrutura visual mais enxuta pode facilitar a adaptação da identidade para diferentes tamanhos sem perder suas características principais.
Por sua vez, as tendências circulam rapidamente entre profissionais e empresas. Uma solução visual que funciona para uma marca pode ser observada por outras, adaptada e novamente reproduzida em pouco tempo. O resultado é uma espécie de convergência estética, na qual diferentes identidades passam a compartilhar cores, fontes, formas e estruturas semelhantes. Com isso, recursos que inicialmente pareciam capazes de diferenciar uma empresa podem se tornar comuns quando passam a ser utilizados por diversos segmentos ao mesmo tempo.
Conforme destaca Dalmi Defanti, esse movimento não significa que as empresas estejam copiando umas às outras. Muitas vezes, elas respondem às mesmas necessidades de comunicação e acabam chegando a soluções próximas. O desafio aparece quando a eficiência da aplicação começa a pesar mais do que a capacidade de construir uma identidade reconhecível.
A simplicidade pode fazer marcas perderem personalidade?
A simplicidade não é, por si só, um problema. Uma identidade visual precisa ser compreendida rapidamente e permanecer funcional quando reduzida, ampliada ou aplicada em diferentes superfícies. O risco aparece quando retirar elementos se transforma em uma regra e diferentes empresas passam a utilizar praticamente o mesmo repertório visual.

Para Dalmi Defanti Cuiabá, a diferenciação também precisa ser observada considerando o destino do projeto. Uma identidade criada para existir apenas em ambientes digitais pode ser pensada de maneira diferente daquela que será aplicada em embalagens, fachadas, materiais promocionais e peças impressas. O meio interfere na percepção e oferece possibilidades que não aparecem necessariamente na tela.
A tecnologia está aumentando a padronização?
As ferramentas digitais ampliaram o acesso à criação gráfica e tornaram mais rápida a produção de alternativas. Isso trouxe vantagens importantes, principalmente para empresas que precisam desenvolver materiais em diferentes formatos e atualizar sua comunicação com frequência. Ao mesmo tempo, a facilidade de reproduzir referências pode estimular escolhas muito próximas entre projetos. Com poucos ajustes, uma mesma linguagem visual pode ser adaptada para diferentes marcas, aumentando a possibilidade de encontrar soluções semelhantes em segmentos distintos.
A inteligência artificial acrescenta outra camada a essa discussão, informa Dalmi Defanti. Sistemas generativos conseguem produzir inúmeras propostas visuais a partir de comandos, referências e padrões existentes. Quando diferentes usuários recorrem a referências semelhantes e fazem escolhas parecidas entre os resultados disponíveis, existe o risco de uma aproximação estética ainda maior.
Nesse cenário, o papel de quem desenvolve a identidade passa a envolver também uma seleção criteriosa. A tecnologia pode ampliar o repertório, mas não determina qual solução representa melhor uma empresa. A decisão sobre o que diferencia uma marca continua dependendo de contexto, posicionamento e compreensão do público. Cabe ao profissional avaliar as possibilidades geradas, descartar alternativas genéricas e preservar os elementos capazes de criar reconhecimento e coerência ao longo do tempo.